Quatro pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (INS) realizaram, em Agosto último, na Universidade de Washington, nos Estados Unidos da América, um curso intensivo de Ciência de Implementação. Trata-se de Plácida Maholela, Palmira Santos, Vánio Mugabe e Osvaldo Inlamea, que se juntaram a outros 80 participantes de diversas partes do mundo.
Durante a formação, os investigadores aprenderam estratégias para usar métodos científicos inovadores e ferramentas de diferentes disciplinas para entender e ultrapassar obstáculos à implementação, e facilitar a sua expansão, num contexto marcado pela dificuldade de traduzir os resultados da investigação para a prática e pelo consequente aumento da lacuna entre o conhecimento e a acção, apesar dos notáveis avanços na ciência médica.
“A ciência da implementação tem o potencial de reduzir esta lacuna, aplicando abordagens sistemáticas de investigação e avaliação para identificar e abordar os obstáculos à replicação eficaz e à ampliação de intervenções baseadas em evidências em contextos locais”, lê-se nos termos de referência do curso.
O organizador da formação, Kenneth Sherr, fala da necessidade de formar mais investigadores na área em referência, para assegurar o aprimoramento da área a partir da identificação de novos desafios e de novas metodologias.
Por seu turno, os participantes enaltecem a oportunidade de treinamento e destacam muitos pontos positivos, que, segundo eles, se converterão em ganhos para o Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Plácida Maholela refere que, apesar de a duração do curso ter sido curta, o proveito foi significativo, na medida em que, com a capacitação, ela conseguiu alargar a rede de contactos de colaboração na área da ciência de implementação.
Por sua vez, Vánio Mugabe sublinha que, com o curso, ficou dotado de ferramentas úteis, que lhe permitem melhorar a sua contribuição no fortalecimento do SNS.

Palmira Santos e Osvaldo Inlamea dizem que a formação foi de grande importância, uma vez que lhes conferiu competências valiosas de sistematização daquilo que eles vinham a fazer, mas de forma empírica.
“Com o treino, descobrimos que temos vindo a fazer a ciência de implementação, porém de forma empírica. Hoje, quando olhamos para trás, percebemos que há coisas que poderíamos ter feito melhor, mas não fizemos, porque nos faltava a capacidade de sistematizar as actividades nesta área”, revelou Inlamea.
Em termos de metodologia, a formação foi baseada em palestras interactivas e sessões de ensino, para além de estudos de caso e discussões em grupo para a aplicação prática de competências metodológicas.
A capacitação dos investigadores do INS enquadra-se no âmbito do “Pacote de Trabalho 3” do projecto Alive, uma iniciativa implementada em três distritos da província de Sofala, com o objectivo de garantir a continuidade de prestação de serviços de saúde durante desastres induzidos pelo clima.
Com a formação, os pesquisadores já possuem a capacidade de identificar os principais factores que limitam a tradução de ensaios de eficácia para programas de saúde eficazes e de descrever o papel dos métodos de investigação complementares no desenvolvimento de programas e políticas de saúde baseados em evidências, entre outras valências.