Um estudo inserido na implementação do projecto Alive com vista a contribuir para a resiliência do sector da saúde aos impactos dos desastres induzidos pelo clima está a ser levado a cabo na província de Sofala. Trata-se duma pesquisa que tem por objectivo fortalecer as respostas comunitárias aos impactos dos desastres climáticos no país.
Intitulado “Implementação de estratégias de saúde mental e apoio psicossocial na construção de resiliência comunitária em contexto de desastres climáticos na província de Sofala”, o estudo está a ser conduzido por Ramnúsia Mucavele, estudante de Mestrado da Universidade Eduardo Mondlane e bolseira do Alive.
A autora explica que, para além das perdas materiais e dos danos físicos frequentemente associados aos eventos climáticos extremos, os desastres induzidos pelo clima têm impactos significativos na saúde mental e no bem-estar psicossocial das populações, afectando a sua capacidade de gestão, de adaptação e de recuperação nessas situações.
“Com este estudo, pretende-se adaptar, validar e implementar estratégias de saúde mental e apoio psicossocial, com vista a fortalecer a resiliência comunitária em contextos de desastres climáticos na província de Sofala”, esclareceu.
Mucavele acrescenta que a implementação das referidas estratégias procura fortalecer as capacidades dos profissionais de saúde mental e dos agentes polivalentes de saúde residentes em comunidades que se encontram em situação de risco, promovendo intervenções sustentáveis e contextualizadas às necessidades locais.
No contexto da pesquisa em alusão, foram realizadas formações em diferentes pacotes de intervenção em saúde mental e apoio psicossocial, designadamente “Autoajuda+”, “Primeiros socorros psicológicos” e “Enfrentando problemas individualmente e em grupo”.
Depois das referidas capacitações, os participantes foram submetidos a entrevistas, com vista a avaliar o processo de implementação das estratégias ensinadas e a compreender a forma como estas estão a ser incorporadas no contexto comunitário.
A autora refere que, durante a fase de recolha de dados, ela teve a oportunidade de observar “in loco” o impacto dos desastres climáticos na vida das comunidades e de compreender a importância das estratégias de saúde mental e apoio psicossocial como elementos essenciais para o fortalecimento da resiliência comunitária.
“A experiência permitiu identificar o potencial destas intervenções para apoiar não só a resposta imediata aos desastres, mas também a preparação e a recuperação das populações afectadas”, partilhou.
O estudo abrange três distritos cobertos pela plataforma Alive, nomeadamente Dondo, Búzi e Nhamatanda, unidos pelo facto de estarem expostos a eventos climáticos extremos.

A expectativa, segundo Ramnúsia Mucavele, é de que os resultados contribuam para a geração de evidências que apoiem a expansão das referidas estratégias para outros contextos de risco em Moçambique.
